A importância da Segurança Alimentar para Grupos Vulneráveis

A importância da Segurança Alimentar para Grupos Vulneráveis
Todos os anos morrem milhares de pessoas na sequência de problemas associados à segurança alimentar, sendo que aproximadamente ¼ dessas mortes ocorrem em crianças com idade inferior a 5 anos, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Os principais problemas associados à segurança alimentar estão relacionados com o consumo de produtos contaminados com microrganismos patogénicos e pela presença de alergénios não declarados. Estas situações decorrem principalmente por falhas no cumprimento dos procedimentos por parte dos colaboradores e por falta do desenvolvimento de uma cultura de segurança alimentar forte dentro das organizações.

É fundamental que, quer os gestores, quer os colaboradores, percebam as consequências do não cumprimento dos requisitos de segurança alimentar e do impacto que este incumprimento pode ter na saúde dos consumidores e na imagem da própria organização.

Infelizmente, nos dias de hoje a segurança alimentar ainda é tratada nas organizações como algo que tem de ser cumprido porque a legislação obriga e muitas vezes quando questionamos as organizações se tem implementado um Sistema HACCP, muitas vezes a resposta é "Sim, temos aqui o dossier, quer ver?". Sendo fundamental a mudança da mentalidade, deixar de ver a segurança alimentar com o uma obrigação legal e um custo e passar a ver como a garantia que não causamos problemas na saúde dos consumidores.

Nas organizações que trabalham com grupos de pessoas vulneráveis a importância da segurança alimentar tem ainda maior relevo, uma vez que estamos a trabalhar com pessoas que já tem algumas condicionantes e/ou problemas de saúde e que qualquer pequena situação pode causar danos consideráveis na saúde destas pessoas.

Deste modo, é fundamental que este tipo de organização olhe para a Segurança Alimentar como uma ferramenta e não como um custo e mero cumprimento requisito legal.

Para isso é importante ter em atenção os seguintes aspetos:

    - Realizar um diagnóstico para conhecer as suas fragilidades na área de segurança alimentar;
    - Desenvolver uma forte Cultura de Segurança Alimentar, ou seja, através do envolvimento de todos para cumprir os procedimentos de segurança alimentar de forma natural e perceber as consequências se os mesmos não forem cumpridos;
    - Dar formação aos colaboradores nas diversas temáticas de segurança alimentar;
    - Efetuar uma correta identificação dos alergénios e definição de procedimentos para a gestão dos mesmos;
    - Definir um sistema de segurança alimentar baseado na metodologia HACCP à medida de cada organização;
    - Garantir a adequada confeção de dietas específicas, quer ao nível nutricional (p.ex. quantidade de açúcar, gordura e sal), quer ao nível da ausência de alergénicos.

No atual momento que vivemos cada vez mais a segurança alimentar tem maior impacto na saúde dos consumidores, uma vez que devido à escassez de algumas matérias-primas e termos de recorrer a mercados alternativos, a qualidade dos produtos que consumimos poderá ter algum decréscimo.

Passados 19 anos a trabalhar e a auditar o setor segurança alimentar, acredito que se a implementação destes sistemas de segurança alimentar for feita à medida da realidade e necessidade da organização e se for claro para os colaboradores o impacto de não se cumprir os procedimentos, todas as organizações têm capacidade para cumprir os requisitos de segurança alimentar.



Filipa Ramos
Especialista em Sistemas Integrados de Gestão e Segurança Alimentar